quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Que tal ler um pouco mais?


Camilla Sanches
camilla.sanches@jornaldebrasilia.com.br


A capital federal dá, hoje e amanhã, exemplo ao País que tem fama de ser habitado por um povo que não gosta de ler. É que a Biblioteca Nacional de Brasília recebe, a partir das 19h de hoje, o Fórum + Livro + Leitura, com a presença de representantes dos governos local e federal, além, claro, de escritores.

“A realização do fórum corresponde a um esforço de honrar o compromisso de converter a cidade na capital do livro”, destaca o secretário de Cultura do Distrito Federal, Hamilton Pereira, que estará no evento ao lado da ministra da Cultura, Ana de Hollanda, do ministro e da secretária de Educação, Fernando Haddad e Regina Vinhaes.

Haverá o lançamento do Plano do Distrito Federal do Livro e da Leitura (PDLL), que estabelece diretrizes para a formação de uma sociedade leitora.  O Plano também prevê políticas, programas, eventos e ações de promoção da leitura. A criação de novas bibliotecas, a melhoria do acesso ao livro e o apoio aos autores locais são algumas das propostas.

Todas as ações serão debatidas durante o segundo dia de atividades, numa série de três mesas com a participação de parlamentares, secretários, administradores regionais, acadêmicos, escritores, bibliotecários, educadores e interessados pela leitura.

Entre os convidados está o escritor e poeta Affonso Romano de Sant’Anna, que participa Brasil afora de projetos de incentivo à leitura e à formação de leitores e se considera um dos representantes da “geração viajeira”, que reúne escritores da década de 1970, como Marina Colasanti e Moacyr Scliar (já falecido).

“A ideia é a de que a leitura é palavra nova na literatura brasileira. Antes, falava-se de biblioteca e livro, apenas”, observa. Sua mais nova obra, Ler o Mundo, trata desses três aspectos e sobre a necessidade de se produzir leitores e não só livros.

Na opinião de Sant’Anna, o leitor não é um acidente, mas um elo fundamental na cadeia. “Antigamente, os escritores eram como funcionários públicos, não arredavam o pé de suas casas ou escritórios. Hoje, fazemos um trabalho de bandeirante, vamos atrás do leitor”, diz. Ele acredita que a fama de país que não lê está caindo por terra. “O Brasil está se mobilizando”, acredita ele, que considera o Fórum + Livro + Leitura prova disso.

No encerramento do fórum será divulgada a carta Brasília, Capital da Leitura. Ela reproduz os compromissos do Plano Nacional do Livro e da Leitura, fortalece o Programa Mala do Livro e revitaliza a Biblioteca Nacional de Brasília, entre outras ações. “O intuito é torná-la referência mundial de biblioteca digital”, diz Hamilton.

Serviço
Cerimônia de abertura do Fórum + Livro + Leitura de Brasília – Hoje, às 19h, no Auditório da Biblioteca Nacional de Brasília. Entrada franca.

Fonte: Da redação do clicabrasilia.com.br

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Plásticos e tóxicos: Alexander Wells, Inglaterra

Alexander Wells é um puta ilustrador...gostei pessoalmente, mas ele que fale por si só..







O AMOR SURDO, MUDO, MORTO

José Rezende Jr.

O moço gesticula feito louco. Agita os braços, abre e fecha as mãos, move os dedos, risca o ar com raiva surda e muda. De vez em quando a moça balança a cabeça, encenando um “não” de incredulidade e tristeza. A briga chama a atenção dos pedestres que esperam a travessia da pista, nem tanto pela desavença em si, mas pelo silêncio estridente em que o amor acaba.

O moço vira as costas. A moça pousa levemente a mão em seu ombro, depois aperta com força, faz com que ele a olhe nos olhos. Agora é ela quem gesticula. O olhar dele tem faíscas. As mãos dela trovejam mágoas. Brigam em silêncio, porque não conhecem outro brigar e porque foi assim, com a linguagem secreta das mãos, que teceram ao longo do tempo este amor quieto, inquieto, prestes a se perder para sempre.

A moça eleva o tom dos gestos, o moço interrompe segurando os pulsos dela: não quer ouvir mais nada. Tendo as mãos caladas, a moça tenta falar com os olhos, mas o moço desvia o olhar. Ela abre a boca, quer que ele a escute, mas de sua garganta muda sai apenas um grunhido de desespero, que o moço não pode nem quer ouvir.

O moço volta ao ataque, agita os dedos na altura do rosto dela. A moça cobre os olhos com as mãos para não ter que ouvi-lo. Ele a agarra outra vez pelos pulsos, exige que os olhos dela escutem toda a sua raiva. A moça não quer acreditar que as mãos que ainda ontem contavam histórias de amor pelo seu corpo inteiro sejam as mesmas que agora lhe açoitam a alma.

Os pedestres adiam a travessia, assistem sem pudor à cerimônia do fim. O moço e a moça miram-se por alguns segundos, com os olhares mudos. Exausto, o moço arranca do dedo o anel que tem gravado o nome dela, ao lado da data em que o amor foi declarado eterno. Quando sai, o anel deixa no dedo dele uma marca branca e ácida. A moça cruza os braços de horror, para não receber de volta o anel que o moço lhe estende e para não ser forçada a devolver este outro, igual, que reluz em seu dedo fino, com o apelido carinhoso dele gravado na tarde de um sábado antigo.

Irritado com a recusa, o moço abre a mão e deixa o anel escorrer entre os dedos, até tocar o chão sem qualquer ruído. Com o desespero estampado em cada linha do rosto, a moça vira as costas, hesita por um ou doi ssegundos, e então atravessa a pista, correndo. Só quando chega do outro lado é que ela se volta e grita com as mãos desgovernadas, querendo perdoar ou ser perdoada, mas desta vez é ele quem lhe dá as costas.

A moça então vai embora, surda, muda, e agora cega pela cortina de sal que lhe turva os olhos. É quando o moço desaba em si. Apanha o anel no chão, tenta atravessar a pista, o sinal está aberto, ele insiste, tropeça, tenta correr de novo, os carros freiam, buzinam, os motoristas xingam enquanto ele, paralisado no meio do asfalto, os dentes cerrados, grita o nome dela com os olhos, com as mãos, com a alma inteira despedaçada.

Mas a moça não olha para trás. Nunca mais verá o moço que grita em silêncio, no silêncio da cidade histérica.

(*) do livro "Eu perguntei pro velho se ele queria morrer (e outras estórias de amor)" / editora 7 Letras, 2009

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

VÍDEO DA SEMANA: Curta Saraus - Poesia nas periferias de SP e DF

"Pois se não há quem ouça,
e não há quem leia
também não há quem viva
e não há quem creia!"
 Com estas palavras comecei meu primeiro poema convicto da revolução interna que eu pretendia em mim, antes de me tornar Radical Livre.
Para os tantos que ainda não perceberam, sou Vinícius Borba, poeta Radical Livre de São Sebastião DF.
Há cerca de 8 anos viemos mantendo experiências de saraus aqui na quebrada e temos mantido nossa resistência prosética em nossas mentes, ações e correrias e por meio do www.viniciusborbablog.blogspot.com tenho buscado somar com essas lindas articulações que a rede nos permite..

Hoje compartilho com vocês um pouco dessa experiência de São Paulo, pelo vídeo Curta Saraus, que relata o testemunho de vários resistentes que mantém e multiplicam a emancipação de almas por meio da poesia. Aproveitem, e criem saraus pelas periferias a rodo..



Aos que não conhecem nossa correria de poesia aqui no DF, segue também um pequeno vídeo do Sarau Radical aqui de São Sebas DF

Governador anuncia investimentos na Cultura

 Serão aplicados R$ 55,5 milhões em reformas e adequações de monumentos e espaços culturais, bem como em fomento, pesquisa e circulação cultural em todo o DF

O governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, anunciou na tarde desta quinta-feira uma série de investimentos na área cultural. Serão destinados R$ 55,5 milhões ao fomento de atividades do setor e à preservação e valorização do patrimônio histórico, artístico e cultural. O objetivo é valorizar o artista local, adequar os espaços culturais para atender a demanda da produção e reformar monumentos e edifícios históricos, beneficiando, consequentemente, a classe artística, toda a população brasiliense e turistas.

Os recursos serão aplicados em duas áreas. Do total, R$ 20,5 milhões irão para reformas e adequação dos espaços culturais, monumentos e edifícios históricos. Os outros R$ 35 milhões serão aplicados em fomento e circulação cultural, além de pesquisa e qualificação voltadas à gestão cultural, por meio do Fundo de Apoio à Cultura (FAC).

“Esse é o maior investimento feito pelo governo no setor cultural nos últimos anos, com aumento de R$ 10 milhões em comparação a 2010”, comemorou o governador Agnelo Queiroz. “Somos um grande centro consumidor de cultura e, com essas medidas, começamos a nos tornar um centro produtor. Aqui na capital de todos os brasileiros, a formação da nossa identidade tem uma relação muito íntima com o aspecto cultural”, acrescentou.

Além do aumento de 22% sobre o investimento na cultura no ano passado, o valor destinado ao fomento à cultura em 2011 é o maior já investido pelo GDF na área. Já a verba voltada à preservação do patrimônio em 2011 é maior do que a soma dos valores investidos ao longo dos últimos 12 anos.

Para o secretário de Cultura, Hamilton Pereira, a apresentação da política de incentivo à cultura representa uma nova tomada de posse. “Com essas medidas, a secretaria volta a ser a Secretaria de Cultura e não mais a Secretaria do Entretenimento. O melhor é que essa nova etapa será emoldurada pelo caráter republicano e por critérios democráticos, porque será uma política realizada a partir de editais”, afirmou o secretário.

Descentralização do orçamento
Parte dos R$ 20,5 milhões disponíveis para a área de Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural estará voltada à reforma de edifícios remanescentes da época da construção de Brasília, como o Catetinho. Também com esse recurso, o governo irá reconstruir a igreja de São Geraldo, no Paranoá, e reformar as igrejas de São José Operário, na Candangolândia, e a de São Sebastião, em Planaltina. Estão previstos ainda investimentos na Chácara Três Meninas, em Samambaia; no Museu Vivo da Memória Candanga, no Núcleo Bandeirante, e na Casa do Cantador, em Ceilândia. 

Serão disponibilizados R$ 2 milhões para a elaboração dos projetos executivos das obras. Até dezembro deste ano serão feitas as licitações e as assinaturas dos contratos. As obras têm previsão para começar em 2012. O compromisso é de que até o final do ano que vem, espaços como o Centro Cultural Renato Russo, na 508 Sul; a Casa do Cantador, o Cine Brasília e o Pólo de Cinema possam voltar a atender satisfatoriamente as produções culturais do DF.

No caso do Museu de Arte de Brasília (MAB), estão garantidos R$ 500 mil para a elaboração do projeto da Escola Técnica de Artes Visuais e do Centro de Restauro. O próximo passo da Secretaria de Cultura é mobilizar recursos exclusivos para a reforma do Teatro Nacional. A primeira reforma prevista será a da sala Martins Penna e, depois, a da Villa Lobos.

Edital do FAC – Na área de fomento, a Secretaria de Cultura do Distrito Federal lança o Edital FAC2011, que apoiará um total de 550 projetos. Várias mudanças estruturais foram feitas nesse edital, como a criação da “Categoria Iniciante”, que dará a oportunidade de novos realizadores executarem o seu primeiro projeto. Também foi incluída uma pontuação por cidades, incentivando a descentralização dos projetos. 

Os recursos do FAC, a partir de agora, estarão divididos em ações da cadeia produtiva que possibilitem a estruturação do segmento. São elas: Apoio ao Registro e à Memória, Apoio à Montagem de Espetáculos, Apoio à Difusão e Circulação, Apoio à Manutenção de Grupos e Espaços, Apoio à Criação e Produção,além de Indicadores, Informações e Qualificação. Também foram diversificadas e ampliadas as possibilidades de projetos dentro das áreas das linguagens artísticas.

Outra novidade é o incentivo para a circulação da produção cultural. Serão apoiados projetos para circular em todo o DF e Entorno, além da circulação Regional (Centro-Oeste, Tocantins e Minas Gerais) e da Nacional. Essa mudança proporcionará o acesso aos bens e serviços culturais em toda a região e os artistas brasilienses poderão mostrar seus trabalhos pelo país – um incentivo ao intercâmbio, à troca de experiências e à divulgação da arte da capital. 

“Essa descentralização, com investimentos em todo o Distrito Federal, levará os recursos para produção e difusão cultural até as pessoas que mais precisam, além de valorizar os talentos dos artistas iniciantes”, lembra o governador Agnelo Queiroz.

Cultura popular – Os investimentos em circo e cultura popular mais que dobraram em relação a 2010 e as produções em audiovisual irão receber um reforço orçamentário. Serão produzidos5 longas, 18 curtas, 15 CDs, 6 DVDs de música novos. Haverá ainda investimento em ações de promoção da Diversidade e Direitos Humanos, observando a transversalidade da Cultura, e serão reforçados os recursos em informações e indicadores culturais para desenvolver a gestão cultural e a economia criativa.

Outra grande inovação, a partir deste ano, é o processo de apresentação e acompanhamento dos projetos do FAC, que está todo informatizado. Isso se deve a uma parceria com o Ministério da Cultura, que disponibilizou o sistema de projetos, o Salic Web.

“O DF será a primeira unidade federativa a fazer esse trabalho por meio de editais, no sistema Salic Web. Consideramos muito importante esse modelo de parceria”, observou o coordenador de Mecanismo de Financiamento do Ministério da Cultura (MinC), Jorge Piero.

A Secretaria de Cultura realizará cursos de orientação para a apresentação dos projetos, além de um atendimento específico para tirar dúvidas, ambos presenciais.

Mais informações sobre o FAC podem ser obtidas pelos emails: duvidasfac2011@sc.df.gov.br ou cursosfac2011@sc.df.gov.br.

Fonte GDF

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Toca Rauuulll! Radicais Livres na próxima terça em homenagem ao cara

Vinícius Borba e Radicais Livres S/A no Sarau da Tribo em homenagem a Raul Seixas e muito mais

no próximo dia 09 de agosto, terça-feira, às 20:00 horas a TRIBO DAS ARTES vai levar a SOCIEDADE ALTERNATIVA DE RAUL SEIXAS para o KAREKAS BAR.
                 A programação está completa, vídeos, poesias, artes plásticas, artesanato e muita música lembrando o grande RAUL SEIXAS.
               

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Amor e Erotismo em ilustração e Poesia

Lilia Diniz, poeta nordestina radicada no DF e enorme artivista nos encanta sempre com suas letras matutas e caipiras... Sempre me encanto mais, por isso compartilho. Pouco depois a ilustração erótica Dormir, de Anne Kawaii, traz com sutileza um momento de júbilo. Para os amantes e amadores...


Dormir, por Anne Kawaii