Massificar a campanha do Plebiscito Popular por uma Constituinte Exclusiva e Soberana do Sistema Político e atingir os mais amplos setores da população brasileira. São estes os principais objetivos do Dia Nacional de Luta pela Constituinte do Sistema Político, que acontece na quarta-feira, dia 7 de maio.
Todos os comitês estaduais, regionais e locais do Plebiscito Constituinte, espalhados por todos os estados brasileiros, realizarão atos massivos, com foco nas capitais, envolvendo todas as entidades que constroem a campanha e mobilizando todas as regiões.
“Não temos dúvidas que é chegada a hora de levarmos a Campanha pela Constituinte para as ruas e enraizá-la cada vez mais. Este pode ser um momento muito oportuno para apresentar a Campanha para setores que ainda não aderiram à campanha e trazê-los para a luta”, destaca a Secretaria Operativa Nacional do Plebiscito Constituinte.
Ainda no dia 7 de maio haverá uma campanha nas redes sociais (twitter e facebook) a partir das 11 horas com a hastag #EuTenhoVozNaPolítica.
Para saber mais informações sobre os atos que serão realizados em seu Estado, busque informações nos Comitês Estaduais do Plebiscito Constituinte www.plebiscitoconstituinte.org.br/comites. Participe!
A poesia crônica que cerca tudo e nada, o universo em desconexa crônica e sua inexorável poética cômica. Resultado dos anos de correria de Vinícius Borba, poeta, jornalista, produtor cultural radicado nas satélites do DF. Militando com movimentos socioculturais de periferia, como o Radicais Livres S/A, políticos como MPL e artivista jornalista independente, este inquieto repórter e agitador faz espaço considerações e compartilha oportunidades, boa arte e impressões sobre mundo.
terça-feira, 6 de maio de 2014
domingo, 4 de maio de 2014
"Não gosto muito do #somostodosmacacos", diz Daniel Alves sobre campanha
Finalmente Daniel Alves dá uma dentro e corrige a cagada de Neymar e seus publicitários. Hoje ele afirmou com exclusividade ao Ibahia que não gostou da campanha publicitária infeliz #somostodosmacacos. Estou até agora embasbacado com o total silêncio do programa Esquenta na semana passada, em relação a violência policial no caso do DG, que estivesse onde estivesse foi baleado pelas costas e assassinado. Hoje fiquei ainda mais boquiaberto pelo completo desvio de assunto e parcialidade do Fantástico, com relação a opinião da massa negra brasileira indignada com essa campanha baixa de mal gosto. O que ficou mais explícito foram os 100% de pessoas brancas que responderam à reportagem em apoio à campanha besta criada por Neymar. Nenhum negro, nenhuma negra, ninguém de cor preta topa aparecer comendo banana e sendo ridicularizado, rebaixado em sua condição humana, só essa galerinha pseudo-intelecto seja lá o que for. Não entenderam nada. Relativizam o racismo e reforçam preconceitos de forma dantesca. E prestam suas celebritices ao desserviço de piorar ainda mais a campanha, que agora veio a público, nada espontânea da empresa de publicidade que fez o bobalhão do Neymar pousar com seu filho branco comendo banana.
Coisas que ficam cada vez mais claras: publicitário tem que ter mesmo aulas de Direitos Humanos nas faculdades gente. Pelo amor de Jah!!!! São capazes de encantar muito mas quando dão fora são capazes de reforçar estereótipos e colocar um monte de gente nessa frequência, e gente de calibre grosso. Anos e anos de luta dos negros e negras brasileir@s para rechaçar este tipo de raciocínio maléfico, lutas e lutas por ações afirmativas de inclusão e me vem com essa? E a rede Bobo bem que podia mandar o Huck baixar a bola por lá e cessar com o assunto que só piora.
Algum alento me veio depois que o próprio Daniel Alves deu essa declaração ao Ibahia, que reproduzo enquanto título para ver se as pessoas entendem. Lázaro Ramos também deu a real sobre o processo. Gosto muito mais.
Ibahia mancheta: "Não gosto muito do #somostodosmacacos", diz Daniel Alves sobre campanha
Lázaro Ramos dá a real completando
terça-feira, 22 de abril de 2014
Justiçaria insana tem que ter fim: Olho por olho
Olho por olho... Quadro do CQC explica muito bem o que tem ocorrido por aí
JUSTICEIROS PROVAM DO PRÓPRIO VENENO: VERDADE QUE DÓI
CQC mais uma vez surpreende e mostra por que essa tal "justiça" com as próprias mãos é ainda pior do que podemos prever! Numa encenação de situação em que um ator acusado de roubo começa a ser agredido, "justiceiros" se metem a querer matar o ator. Mas percebem que tudo pode ser ainda pior. Será que poderemos aceitar esse tipo de confusão? Direitos Humanos, como sempre, indispensáveis. Assista http://goo.gl/Li3Nl3
É esse ódio esdrúxulo e insaciável que nos cerca estapeando nossa tranquilidade diária. Um tal de Justiceiro que nos ronda, pior que em filme norte-americano, escolhendo quem merece ou não ir pra sacola sem sequer discutir, sempre preferindo os mais pretos, mais pobres, sempre rodeando as perifas nossas de nossos deuses e Orixás. Há bandidos por aí? Sim. Há crimes? Sim. Mas não justificam especialmente a morte de inocentes que se repetem pelas ruas. Quedo a me perguntar quando é que se perguntarão os tais metidos a justiceiros como é que resolverão quando a caça às bruxas retornar contra si mesmos? O que farão quando seus próprios pares forem acusados, esquartejados e trucidados em praça pública sem que possam eles intervir ao custo das próprias vidas. A que grau de insensatez levou a Revolução Francesa depois dos primeiros atos que de tanta bravura começaram a soar covardes. O que farão os justiceiros quando forem eles acorrentados nas paradas de ônibus, mortos sem sequer terem cometido qualquer pequeno delito que fosse. Como sobreviverão com sangue de inocentes nas mãos quando tiverem de responder a quem não se pode mentir.. E a si mesmos, o que dirão nas noites de horror que se sobrestarão?
Justiçaria tem de ter fim. Justiçaria portas do inferno. Mantenha distância.
JUSTICEIROS PROVAM DO PRÓPRIO VENENO: VERDADE QUE DÓI
CQC mais uma vez surpreende e mostra por que essa tal "justiça" com as próprias mãos é ainda pior do que podemos prever! Numa encenação de situação em que um ator acusado de roubo começa a ser agredido, "justiceiros" se metem a querer matar o ator. Mas percebem que tudo pode ser ainda pior. Será que poderemos aceitar esse tipo de confusão? Direitos Humanos, como sempre, indispensáveis. Assista http://goo.gl/Li3Nl3
É esse ódio esdrúxulo e insaciável que nos cerca estapeando nossa tranquilidade diária. Um tal de Justiceiro que nos ronda, pior que em filme norte-americano, escolhendo quem merece ou não ir pra sacola sem sequer discutir, sempre preferindo os mais pretos, mais pobres, sempre rodeando as perifas nossas de nossos deuses e Orixás. Há bandidos por aí? Sim. Há crimes? Sim. Mas não justificam especialmente a morte de inocentes que se repetem pelas ruas. Quedo a me perguntar quando é que se perguntarão os tais metidos a justiceiros como é que resolverão quando a caça às bruxas retornar contra si mesmos? O que farão quando seus próprios pares forem acusados, esquartejados e trucidados em praça pública sem que possam eles intervir ao custo das próprias vidas. A que grau de insensatez levou a Revolução Francesa depois dos primeiros atos que de tanta bravura começaram a soar covardes. O que farão os justiceiros quando forem eles acorrentados nas paradas de ônibus, mortos sem sequer terem cometido qualquer pequeno delito que fosse. Como sobreviverão com sangue de inocentes nas mãos quando tiverem de responder a quem não se pode mentir.. E a si mesmos, o que dirão nas noites de horror que se sobrestarão?
Justiçaria tem de ter fim. Justiçaria portas do inferno. Mantenha distância.
Álbum Preta, de Leandro Morais é bom até
Desta feita, compartilho com vocês os sambas diversos de Leandro Morais, músico e compositor baiano radicado em Brasília que lança seu primeiro disco, o Álbum Preta. Entre a academia (sua formação em composição e regência na UFBA) e os sons do gueto que lhe embalam, Leandro nos provoca a entrar no universo feminino levado por suas musas de inspiração e vivências cotidianas entre os quereres e vivências de suas amadas. Além da música de trabalho que inspira, Preta, um convite ao casamento com essa amada que sabe o que quer, sugiro Lìria, canção que fala de um cara normal, que fez tudo certo, não sacaneiou ninguém, estava na fila do céu quando... ouça que é som bom demais, pra dançar, baixar e curtir. Ilustrações ainda ficam por conta do mestre Renato Moll, que dispensa apresentações, grafiteiro, artista plástico biodegradável e Vj. Muito bom.
segunda-feira, 6 de janeiro de 2014
Agapop Eternidade: em memória ao Dj Agá, black samba soul e Buda ao mesmo tempo!
Agapop Eternidade
Do teu mano, Vinicius Borba
Gildo
Antonio Alves, Agá,
seu codinome de samba
Como bom e
velho bamba
Que não se
deixa calar
Um surdo
agora mudo
Um tantã,
repique, tamborim
Um scratch
na playlist
Tinha um
poste no caminho, acabou tudo
Agá era
daquele jeito
Malemolência
carioca do gingado
Levava a
Aruc no peito
Mas mantinha
o bom do Black emaranhado
O bom som
lhe guiava
Dava o tom
da caminhada a cada take
O melhor
quadro, câmera, luz, sem fake
Da vinheta a
finalização o corte certo comandava
Um poço de
paciência, a paz do Buda que o levava
Uma dor lhe
perseguia,
um vazio sem
complacência fulminava
De alguma
inconsequência
Claro, todo
mundo errava
Neste mundo
sem decência
O capital
que lhe apertava
Amizade teve
todas as possíveis
Bonachão,
amava muito seus filhotes
Coração de
leão, sempre foi forte
Pra proteger
sua prole, indivisíveis
Viveu as
alegrias que teve para viver
Sofreu as
tristezas que teve para sofrer
Sem jamais
esmorecer de sua fé,
Manteve o
juramento até o final de pé
Brasiliense
nato calango
Filho do
Cruzeiro Velho Candango
Manteve um
sonho e uma utopia
De
comunicador, tocando e vivendo
Proteger a
humanidade contra covardia
Mas como
ensinou o mestre, Leão que é leão
Não morre
caçado ou de causas externas
É de dentro
de sua’lma
Que parte a
morte que lhe encerra
Seguimos
agora teu juramento irmão
Que em nome
de tua memória
E do porvir
de teus rebentos
Faremos novo
juramento
Para mudar
toda essa história
Na Contra
mão, no Sokasamba
Em tua Aruc
ou tocando na Árvore
Teu som ecoa
sem essa mancha
É a tua
harmonia que nos invade
Antônio
Gildo Alves
Aga Pop,
nosso cumpade
Nos vemos
eternamente por essas andanças
Em cada
verso, em cada mantra
É o teu som
que nos invade
Agapop
Eternidade
quinta-feira, 19 de dezembro de 2013
O Grande Barco lança álbum virtual de poemúsica
Grupo lança virtualmente o primeiro álbum de "poemúsica", gênero focado na literatura associada a música. A produção patrocinada pelo Fundo de Apoio à Cultura está disponível no site www.ograndebarco.com.br e pode ser conferida gratuitamente pelo download.
Com foco na articulação da palavra, em seu campo polissêmico e sensorial, O Grande Barco funde rap, reggae, xote e outros ritmos à influência da música eletroacústica, criando assim uma sonoridade própria onde voz, elementos eletrônicos, flauta e guitarra dão os tons das composições. Com dois álbuns, Um Dedo de Prosa, Uma Mão de Poesia (2005), produzido por Alfredo Bello, que acompanha o livro homônimo, de Sids Oliveira, e O Grande Barco (2013), este produzido por Luiz Oliviéri, que conta com as participações especiais de Alfredo Bello aka Dj Tudo, Marta Carvalho e do próprio Oliviéri.
Neste álbum o grupo traz consigo, também, citações de Walt Whitman, João Guimarães Rosa, Chico Science e João Cabral de Melo Neto; soltam um viva a Maroca, Poroca e Indaiá (ceguinhas de Campina Grande-PB), em Elas na Feira, e pedem o tom, em memória, a Chico Science, em Ciranda de Ciranda, emitindo, assim, dicas de suas leituras e trajetórias no seu fazer artístico. Formação: Davi Abreu (flauta e programações), Leandro Morais (guitarra) e Sids Oliveira (voz e programações).
Serviço:
Lançamento Virtual do Disco O Grande Barco
Site: www.ograndebarco.com.br (Faça download ou escute o disco)
Formação: Davi Abreu (flauta e programações), Leandro Morais (guitarra) e Sids Oliveira (voz e programações).
domingo, 8 de setembro de 2013
Forró "lapada na rachada" e a degeneração da música brasileira em tese de doutorado
Reportagem importantíssima de Eduardo Nunomura pela coluna Farofafá, da Carta Capital, sobre a forma como milhares de pessoas, em especial no Nordeste, mas como sabemos, em todo o Brasil onde se escuta forró eletrônico, é empurrado a acreditar que os únicos valores e coisas boas da vida são encher a cara, ter carrão e viver na putaria. Como se nada mais fosse legal ou pudesse acrescentar na vida. Enquanto as indústrias de álcool e de carrão se dão bem nesse consumismo besta, o povo se lasca com políticos sacanas, falta de educação e uma bestagem consumista generalizada. Sem contar o machismo violento que continua matando milhares de mulheres, dia após dia.
Imperdível, tem que ler.
Por Eduardo Nunomura - A música brasileira está decadente – sans élégance. Difícil encontrar alguém que nunca tenha ouvido uma frase como essa. Refine o gênero, e as frases continuarão a fazer sentido para muitas pessoas. O funk, o sertanejo, o forró, o pop, todas as músicas consumidas pelas massas não prestam.
Um estudo acadêmico parte do forró eletrônico, ouvido à exaustão em todo o Nordeste, para investigar o que muitos chamam de “degeneração” da música popular. O professor Jean Henrique Costa, da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte, obteve o título de doutor em Ciências Sociais com a tese “Indústria Cultural e Forró Eletrônico no Rio Grande do Norte”, defendida em março de 2012 na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).
O pesquisador defende que o gênero preferido entre os nordestinos faz parte de uma engendrada indústria cultural, por meio da qual são criadas e sustentadas formas de dominação na produção e na audição desse tipo de música.
Segundo ele, quando uma banda de forró eletrônico recorre a canções de temática fácil, na maioria das vezes ligadas à busca de uma felicidade igualmente fácil, ela está criando mecanismos para a formação de um sistema de concepção e circulação musical. Nele, nada é feito ou produzido por acaso. Tudo acaba virando racionalizado, padronizado ou massificado.
O ideal de uma vida festeira, regada de uísque, caminhonete 4×4 e raparigas (mulheres) é hoje um símbolo de status e prestígio para muitos dos ouvintes. Ninguém quer ficar de fora da onda de consumo. Numa das partes da pesquisa, Costa analisou o conteúdo das letras dos cinco primeiros álbuns da banda Garota Safada e descobriu que 65% das músicas falam de amor, 36% de sexo e 26% de festas e bebedeiras.
“Parte expressiva das canções de maior sucesso veicula a ideia de que a verdadeira felicidade acontece ‘no meio da putaria’, ou seja, nos momentos de encontros com os amigos nas festas de forró”, escreveu Costa. “Não se produz determinada música acreditando plenamente que se está criando uma pérola de tempos idos, mas sim um produto para agradar em um mercado competitivo muito paradoxal: deve-se ser igual e diferente concomitantemente.” Ou seja, a competitividade do mercado induz à padronização dos hits.
“O que move o cotidiano é isso mesmo: sexo, amor, prazer, diversão. O forró e quase toda música popular sabem muito bem usar desse artifício para mover suas engrenagens”, explicou Costa. “Não é por acaso que as relações sexuais são tão exploradas pelas canções de maior apelo comercial a ponto de se tornarem coisificadas à maneira de clichês industriais.”
Referencial Teórico - Outros gêneros musicais também recorrem a estratégias semelhantes. O forró eletrônico consegue se diferenciar dos demais ao dar uma roupagem de “nordestinidade”, criando a identificação direta com o seu público. Mas o objetivo final de todos é proporcionar diversão. O problema, segundo Costa, é que “se vende muito pão a quem tem fome em demasia”.
Costa baseou sua pesquisa no referencial teórico de Theodor W. Adorno, um dos ideólogos da Escola de Frankfurt. O pesquisador procurou atualizar o conceito de indústria cultural a partir da constatação de que as músicas do forró eletrônico são oferecidas como parte de um sistema (o assédio sistemático de tudo para todos) e sua produção obedece a critérios com objetivos de controle sobre os efeitos do receptor (capacidade de prescrição dos desejos).
O pesquisador recorreu ainda a autores como Richard Hoggart, Raymond Williams e E.P. Thompson para abordar o gênero musical a partir da leitura dos estudos culturais (a complexa rede das relações sociais e a importância da comunicação na produção da cultura), que dialogam com outro conceito anterior, o de hegemonia, de Antonio Gramsci. Pierre Bourdieu também serve de referencial teórico.
Ao amarrar essas teorias, o pesquisador argumenta que o público consumidor de músicas acaba fazendo parte de esquemas de consumo cultural potentes e difíceis de serem contestados. Neles, até o desejo acaba sendo imposto. Em entrevista a FAROFAFÁ, Costa exemplifica esse fato com a atual “cobrança” pelo consumo de álcool, onde a sociabilidade gira em torno de litros de bebidas.
“O que se bebe, quanto se bebe e com quem se bebe diz muito acerca do indivíduo. O forró não é responsável por isso, mas reforça.” Para o pesquisador, o consumo de bebidas se relaciona com a virilidade masculina, que, por sua vez, se vincula à reprodução do capital.
“Não reconheço grande valor estético (no forró eletrônico), mas considero um estilo musical que consegue, em ocasiões específicas, cumprir o papel de entreter”, afirmou. O pesquisador ouve todo tipo de música (samba-canção, samba-reggae, rock nacional dos anos 1980 e 1990, bolero, tango, entre outros), mas sua predileção é por nomes como Nelson Gonçalves e Altemar Dutra.
Para cobrir essa lacuna sobre o gênero que iria pesquisar, Costa entrevistou nomes como Cavaleiros do Forró, Calcinha de Menina, Balança Bebê eForró Bagaço. O seu objetivo foi esquadrinhar desde uma das maiores bandas de forró eletrônico do Rio Grande do Norte até uma banda do interior que mal consegue fazer quatro apresentações por mês e cobra em torno de R$ 500 por show.
É dentro desse contexto de consumo de massa de hits que nascem e morrem, diariamente, pelas rádios e carrinhos de CDs piratas, que prevalece o forrozão estilo “risca a faca” e “lapada na rachada”, para uma população semiformada (conceito adorniano de Halbbildung), explica Costa. Sobra pouco ou nenhum espaço para nomes consagrados do gênero.Entre os extremos de quem ganha muito e quem mal consegue sobreviver com o forró, o professor constatou que o sucesso é um elemento em comum, e algo difícil de ser obtido. Depende de substanciais investimentos financeiros e também do acaso – ter um hit pelas redes sociais ajuda. É por isso que Costa afirma que Aviões do Forró e um forrozeiro tecladista independente estão em lados completamente opostos, mas ainda têm algo basilar em comum: a indústria cultural.
Luiz Gonzaga, por exemplo, embora seja o símbolo maior do gênero e tratado com respeito pela maioria dos nordestinos, acaba sucumbindo a essa indústria cultural. “A competição é desigualmente assimétrica para o grande Lua. O assum preto gonzagueano, nesse sentido, bateu asas e voou.”
Costa diz não ser um pessimista ou só um crítico ferrenho do forró eletrônico. Tampouco que tem pouca esperança de que a música brasileira seja apenas uma eterna engrenagem da indústria cultural. Ao contrário, é dentro dela própria que ele vê saídas para o futuro da produção nacional. “Se vejo alguma possibilidade de mudança pode estar justamente nesses estúdios caseiros de gravação de CDs, nas bandas de garagem, no funk das periferias, no tecnobrega paraense. Não afirmo que a via é essa, mas que é um devir, uma possibilidade que pode não ir para além do sistema, mas minar algumas de suas bases”, concluiu.
Confira aqui a Tese de Doutorado na íntegra
Do Farofafá, CartaCapital.
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